Muitos tutores se perguntam por que o cachorro fica sacudindo a cabeça repetidamente, coçando a orelha com as patas, apresentando mau cheiro na região do ouvido ou demonstrando dor e desconforto quando alguém toca perto da cabeça dele. Em casos mais avançados, o pet pode inclinar a cabeça constantemente para um lado, perder o equilíbrio ou latir de dor ao ser tocado. A resposta para esses sinais quase sempre aponta para a mesma direção: a otite canina, uma inflamação do canal auditivo que afeta cães de todas as raças e idades e que, quando ignorada, pode se tornar um problema crônico e bastante doloroso para o animal.
A otite não surge do nada. Na maioria das vezes, ela é consequência de um desequilíbrio interno que se manifesta no canal auricular. Um estudo retrospectivo publicado no Journal of the American Veterinary Medical Association em 2023 pelo pesquisador Tim Nuttall reforça que todas as infecções auriculares recorrentes em cães são, em sua essência, secundárias — ou seja, sempre existem fatores primários subjacentes que precisam ser identificados e tratados para que o quadro não se repita. Entre esses fatores estão a proliferação de fungos como Malassezia pachydermatis e bactérias como Staphylococcus pseudintermedius e Pseudomonas aeruginosa, o excesso de umidade no canal, reações alérgicas alimentares e a higiene auricular incorreta ou ausente.
Cães com orelhas caídas — como Cocker Spaniel, Basset Hound e Beagle — têm ventilação reduzida no canal, o que cria um ambiente propício para infecções recorrentes. Essa característica anatômica, combinada com uma alimentação inadequada ou a ausência de uma rotina de higiene, forma o cenário ideal para que a otite se instale e retorne repetidamente.
Uma pesquisa microbiológica conduzida entre 2020 e 2022 em Gran Canaria, Espanha, analisou 604 amostras de cães com otite externa e identificou alta prevalência de resistência antimicrobiana em múltiplas classes de antibióticos, além de casos de resistência à meticilina no Staphylococcus pseudintermedius — um achado considerado preocupante pelos pesquisadores, justamente por dificultar o tratamento convencional.
Microbiological Survey of Canine Otitis Externa in Gran Canaria, Spain (2020–2022). NCBI/PMC, PMC10931146, 2024.Um ponto que frustra muitos tutores é o fato de a otite voltar mesmo depois do tratamento convencional. O tratamento com gotas auriculares contendo antibióticos ou antifúngicos combate o sintoma, mas não necessariamente a causa raiz da inflamação. Se o ambiente auricular continua desequilibrado após o tratamento — seja pela alimentação, pela falta de higiene de rotina ou pela predisposição genética da raça — a otite tende a se reinstalar. Por isso, cada vez mais tutores têm buscado combinar o acompanhamento veterinário com protocolos de higiene e cuidado natural para manter o canal do ouvido limpo, equilibrado e saudável no dia a dia.
Nesse contexto, o mel vem sendo estudado como um agente antimicrobiano natural promissor no cuidado de cães. Um estudo publicado no American Journal of Veterinary Research em 2024 pela Universidade Auburn avaliou a atividade antibacteriana de diferentes tipos de mel contra os principais patógenos isolados em feridas de cães e gatos — incluindo exatamente as bactérias mais comuns na otite canina — e concluiu que o mel de grau médico apresentou as menores concentrações bactericidas mínimas contra todos os patógenos testados.
Pesquisa complementar publicada no Veterinary Archives em 2023, conduzida pela Universidade de Ljubljana, demonstrou que o mel médico influenciou positivamente o processo de cicatrização em cães, com todas as feridas tratadas cicatrizando completamente e com crescimento capilar restabelecido — consolidando o mel como uma alternativa antimicrobiana promissora na medicina veterinária.
Lukanc, B. et al. (2023). The effect of medical honey on second intention wound healing in dogs. Veterinary Archives, 93(5), 569–580.A limpeza regular das orelhas do cão é um dos cuidados mais simples e eficazes para prevenir e controlar a otite. Quando feita da forma correta, ela remove o excesso de cera, reduz a proliferação de microrganismos e mantém o canal auditivo em equilíbrio. Pensando nisso, o Canal Carol de Liz preparou um conteúdo completo e detalhado sobre o tema, explicando passo a passo o funcionamento do canal auricular canino, os erros mais comuns na higiene das orelhas e como aplicar em casa um protocolo natural de limpeza auricular — desenvolvido com ingredientes simples, seguros e acessíveis, que auxiliam na redução da inflamação, no controle do acúmulo de sujeira e no alívio do desconforto do animal.
Assista ao vídeo completo no Canal Carol de Liz e descubra como pequenas mudanças na rotina de higiene e cuidado podem transformar a qualidade de vida do seu companheiro — mantendo as orelhas dele limpas, saudáveis e livres de desconforto.